O texto abaixo foi escrito pelo Gilberto Jugend, um curitibano que fez aliá em 1968, coloca sua opinião pessoal sobre a visita de Lula a Israel.
Uma opinião pessoal
Amigos no Brasil me perguntaram se ouvi na TV o discurso do Lula na Knesset.
- Não, não me interessei pelo Lula, respondi - e não entrei em detalhes.
Dentro de mim porém sabia a resposta: seria perda de tempo escutar um político ingênuo ou hipócrita (mais para hipócrita do que para ingênuo) tentar mascarar a unilateral e as vezes cega preferência do Brasil pelos árabes, mesmo as custas da sobrevivência do Estado de Israel. Creio que também não ouvi o discurso por um misto de menosprezo ao homem, e desgosto e alarme profundos pelo posicionamento do Brasil, liderado pelo Lula, em relação ao Irã.
Curioso, fiz a mesma pergunta - "você ouviu?" - a alguns brasileiros e israelís aqui em Israel, e a resposta foi a mesma. Alguns até acharam graça da pergunta aparentemente estúpida. Olhei os jornais: Yediot Aharonot, o mais vendido, sequer mencionou a visita na primeira pagina; idem o Maariv. No Haaretz tem uma foto na primeira página e outra na segunda - mas nenhum comentário fora isso. Em todo o caso, o Haaretz já tinha publicado no fim de semana uma entrevista exclusiva com o Lula.
Lula veio visitar os palestinos e a caminho parou em Israel, esta é a minha interpretação. Com 10 milhões de árabes vivendo hoje no Brasil (ou 5% da população) e as eleições chegando, está na hora do Lula fazer alguma propaganda. Não dá para esquecer também que isso lhe dará mais alguns pontos de conceito no mundo árabe, especialmente quando da visita que fará ao seu irmão Ahmadinejad do Irã, em breve. O comércio com o Irã já rende aos cofres do governo brasileiro mais de U$ 10B/ano. Nada mal. E isto é tão somente com o Irã. Quanto o Brasil não recebe de todos os países árabes juntos ? Para comparar: o comércio com Israel é perto de U$ 2/B anuais.
Então, repito, Lula veio fazer uma visita aos palestinos com uma paradinha em Israel. Visita a Ramalla, abraços e beijinhos com os dirigentes de lá, visita ao consulado que o Brasil mantém em Ramalla - tudo é lucro. Contatos com o Fatah e Hamas, propostas de tentar mediar entre eles...
E o que dizer sobre a cerimônia oficial de visita ao túmulo de Arafat, considerando que se recusou a visitar o túmulo de Hertzl em Jerusalém?
Tudo é lucro para Lula, seus seguidores e a política internacional brasileira, apesar da propagandeada "posição neutra" do Brasil (piada...) em relação ao conflito em nossa região.
Política e ideologia sem remorsos, ao mesmo tempo em que escolhe deliberadamente ignorar as obvias conseqüências do apoio a fanáticos religiosos que desenvolvem bombas atômicas.
Da minha perspectiva, de minha família e de Israel, nossa sobrevivência é preocupante, em particular quando esses fanáticos estão desenvolvendo capacidade nuclear e anunciam abertamente qual é a finalidade. Esta posição do Brasil e do Lula, na prática apoiando este esforço nuclear, ignorando e minimizando a aberta posição Iraniana, é uma política hipócrita do lucro mascarada de ideologia. Eles acham que somos cego ou estúpidos? Para nós está em jogo nossa sobrevivência!
Assim, esta passagem de Lula por Israel, "visita de dirigente de um povo amigo", em vez de ser encarada como uma aproximação com Israel, busca da paz, etc., deve ser rotulada como realmente é: um logro, um insulto e uma farsa nauseante com a finalidade de ganhar votos nas próximas eleições e de aproximar o Brasil de seus amigos árabes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário